- Uma skinny não é necessariamente uma calça feminina. É versátil o bastante para vestir homens e mulheres. A primeira vez em que vimos uma skinny foi num homem;
Esse é o Johnny Thunders, ex- guitarrista dos New York Dolls, banda de 73.
Se isso não for uma skinny, eu sou Johnny Rotten.
Uma das marcas mais desejadas pelos consumidores de skinnies é a extraordinária April77.
E se você ainda duvida que foi mais a turma do pai da Stella do que ela mesma que lançou a calça, dá uma olhada no conceito dessa marca:
(...) April77 is a tribute to the Rock culture and its way of life. April77 aims to become for fashion what Rock is for music. (...) The choice of the fabrics and names, the hidden details, the carefully tight cuts… each piece of the collection tells a story from the Rock era.
“Nevermind the Bollocks”, único álbum oficial lançado pelos Sex Pistols, é de 77
Ok, ok, qualquer coisa que não fosse skinny ficaria semibaggy no Sid Vicious
Olha os New York Dolls de novo
O jeans skinny ganhou bastante espaço nas lojas brasileiras dois anos atrás. Lembro que babamos na coleção da Ellus, que fez barulho vestindo Chloë Sevigny, uma musa bem róquenrrôu.

As passarelas exploraram, a TV explorou, as lojas exploraram.
No fim, as tendências apontaram que a estação seguinte viria cheia de oversizeds (os versões baggys que vimos no post anterior) , justamente o contrário da justeza da skinny, cuja substituta direta foi a legging.
Não nos acostumamos - até porque legging é uma coisa e skinny é outra. A atitude legging é diferente da atitude skinny, saca?
E poucas coisas são mais sensuais – e rebeldes – que um jeans justo bem aplicado.

Skinny jeans: os favoritos da Dani Varanda


Calça Espiga
Depois da moda boyfriend, apostamos na moda basterd. Ou melhor, “Inglorious Basterds”.
Duvidamos que alguém passe ileso ao look da linda Mélanie Laurent, a Shosanna Dreyfus da mais recente produção de Quentin Tarantino. Shosanna é uma judia durona, doida para se vingar de uns nazistas que, escondida por trás do codinome Emmanuelle Mimieux, é dona de um sala de cinema na França.
Reparem bem na calça de Mélanie quando pendura os letreiros na fachada do cinema ou conversa com seu assistente, Marcel, no saguão do local.
Pois é, desviem a atenção dos belos olhos da moça por um instante e foquem na calça espiga - ou herringbone, nossa primeira Aposta Bizarra (e sejam bem-vindas ao 1o post do novo Sério, Moda?).
A espiga tem um corte reto, porém causa um efeito meio baggy, meio pantalona, já que é alta e afunila na cintura.
Além disso, tem a barra ligeiramente encurtada, o suficiente para deixar bota ou sapato alto aparecendo bem.
Esqueçam essa história de calça cobrindo metade do salto. Com a espiga, vocês vão permitir que as peguem de calça curta.

Acharam difícil? Então reparem nesta daqui:

Também é espiga e soou melhor, não? Apostamos nela!
Mélanie aplica muito bem a herringbone na composição do figurino de sua personagem, mas sempre é bom destacar que o biótipo da moça facilita muito.
De toda forma, as contraindicações são poucas: quadris muito largos podem ficar marcados demais por conta da cintura afunilada desse modelo, inclusive causando desconforto.
Barriguinha muito saliente também não convém, já que o ideal para compor um look harmonioso com a espiga é o uso de uma camisa justinha. Com um pouco mais de frio, fica ótima com um trench coat por cima.
Um ponto superpositivo da herringbone é que ela pode ser criada com materiais mais pesados, como o tweed, ou mais fresquinhos, como o algodão e a viscose, de forma que pode ser uma ótima companhia tanto para uma dessas noites chuvosas quanto para dias ensolarados.
Quer apostar?
Jogo das "novas" calças - Adivinhem qual é qual: Carrot, Herringbone, Haren, Saruel, Cortina de Teatro, Clown, Drapê, Drop-Crotch, Pareô, Salegging, Baggy...

Anti-Look da Semana
The Sartorialist Onde foi parar o resto da bela? É impressão nossa ou tem ossinhos demais nessa produção?
Sério, nós amamos calças rasgadas, camisetas laceadas, transgressões, rebeldias e afins, but, tem que comer direitinho, xente! Pra ficar saudável, bonita, rechear boyfriend jeans e ter brilho nos cabelos. Combinado?
Você usa caneta, gasolina, pasta de dente e pote de Nutella até o fim. Então, por que não fazer o mesmo com as suas roupas?
Veja algumas maneiras de aplicar esse conceito sustentável (isso é moda, gente, mas deveria ser uma questão de consciência) no seu dia a dia. Faz bem para o planeta, para o bolso e para os outros.
Usando até o fim:
Por isso, passe para frente aquilo que não usa mais ou procure fazer com que durem mais, lavando suas roupas à mão, esfregando menos, secando-as ao sol.
O tempo de decomposição de um tecido é de 6 meses a 1 ano.
(Bota de veludo do Museu Textil i d'Indumentaria de Barcelona)
Lição 2: deixe o orgulho de lado
Fazer algumas trocas e doações para amigas pode ser muito divertido. Não é porque aquela calça 36 não te entra mais que não vai ficar ótima na sua vizinha.
Lição 3: tudo se transforma
Calças viram bermudas facilmente, saias viram microssaias e até panos que sobram de suas roupas modificadas podem se transformar em detalhes bacanas, como uma flor ou uma faixa de cabelo.
A designer de bolsas Daniela Ricci diz que aplica o conceito da transformação não só em suas criações, mas em tudo na vida.
Carteira Retrô - de babar - com tecido vintage - Daniela Ricci.
Claro que as roupas transformadas, na grande maioria das vezes, ficam com cara de repaginadas. Portanto, se for usar algo do tipo, deve vestir a camisa literalmente. A camisa do “pintei e bordei e ficou assim”.
Havaianas customizadas da Florita. Bonita.
A exposição Moda Reciclada (falamos dela aqui) colocou esse assunto em pauta – utilizando, como é de praxe, o nome de Herchcovitch como chamariz. Mas você não precisa ser nenhum estilista famoso para colocar a mão na massa.
Eu mesma, que não tenho a menor habilidade com tesoura, agulha e linha, já cortei muita barra de calça velha - e assumi um desfiado que antes era apenas um feio desgastado - e já cortei golas e mangas e fiz belas camisetas para treino na academia.
Dani Ricci, espertíssima, também é adepta da transformação. “Meu guarda-roupa ama um ‘transformer’. Ontem mesmo saí com uma calça que já foi um vestido longo”, conta orgulhosa.
Lição 4: desapegue-se
Mal sabemos se estaremos vivos amanhã, quanto mais no verão de 2014. Portanto, não fique guardando coisas com aquela esperança de “a moda vai voltar”.
Se você usou algo de que agora não gosta mais, provavelmente é porque caiu na armadilha de usar só por causa das tendências da época. Desapegue-se desses itens, pare de guardar coisas.
Você vai ver no item 5 que eliminar o inútil é também desfazer-se daquilo que é inútil dentro de você, é abrir espaço para o novo.
Além disso, quem nunca ouviu que a generosidade atrai prosperidade? Então! Doe!
Lição 5: renovar é olhar para frente
Roupas guardam histórias, mas isso não quer dizer que esses panos precisam ser guardados. Eles podem ser repassados a outras pessoas, agregando a história de quem os recebeu.
É assim que você abre espaço no seu guarda-roupa para as novidades, e deixa de lado, ao menos simbolicamente, aquilo que não deseja mais guardar para si.
Olha o conceito da Hand-me-down da inglesa Howies:
“These products have been made to last. So that one day you can hand them down to someone else. And they can carry on their little journeys”.
Numa tradução rápida, eles dizem que seus produtos – uma mochila ou uma jaqueta – foram feitos para durar, de forma que um dia você possa dá-los a alguém e que eles possam seguir suas jornadas.
Bela ideia em dias de escassez de recursos naturais.
E vocês? Tem alguma peça sua ou de outra pessoa que tenha uma jornada, uma história para contar?







